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terça-feira, 18 de abril de 2017

#108 - Menos é mais

Um artigo de Greg Mckeown faz uma pergunta intrigante:

Por que pessoas e organizações bem-sucedidas não se tornam automaticamente muito bem-sucedidas? 

O link para esta reflexão encontra-se aqui.

Existe um paradoxo que busca explicar esta questão, conhecido como o Paradoxo da Claridade. Ele afima:

  • Fase 1: Quando temos uma clareza de propósito, temos o caminho do sucesso.
  • Fase 2: Quando temos sucesso, abrem-se mais caminhos, opções e oportunidades.
  • Fase 3: Ao aumentar a quantidade de opções e oportunidades, os esforços começam a ser mais difusos.
  • Fase 4: Esforços difusos minam a claridade que em um momento nos dirigiram ao sucesso da Fase 1.

Ou seja, curiosamente o sucesso passado pode ser o catalisador do fracasso futuro. Isto ocorre quando se faz a busca indisciplinada por mais. O sucesso pode ser tornar uma grande distração. 

Assim, as respostas para o anseio de manter o momentum pode residir nas seguintes atitudes:

1. Utilizar critérios extremos

Assim como eliminamos as roupas do closet, deve se perguntar: Realmente preciso disso? É necessário fazer uma assepsia emocional. Existe o conceito do Ponto Mais Alto de Contribuição. É exatamente o ponto de intersecção entre minha Paixão, minha Vocação e minha Contribuição. 

2. Perguntar "O Que é Essencial" e eliminar o resto

Comece conduzindo uma auditoria em sua vida. Todos os sistemas humanos são conduzidos à desorganização. Encontre o que é essencial e jogue fora o resto. Na sequência, somente adicione uma nova atividade após ter eliminado uma anterior. Esta regra simples irá proporcionar que você apenas adicione uma atividade que tenha uma valor maior que aquela que foi substituída. 

3. Se precaver acerca do efeito de doação

As coisas tendem a possuir maior valor quando estamos próximos a nos desafazer delas. Uma proposta feita por Tom Stafford para resolver este impasse é perguntar "Se não tivesse este item, quanto estaria disposto a pagar para tê-lo?". O mesmo vale para oportunidades na carreira.

Se o sucesso é o catalisador do fracasso pela perseguição indisciplinada por mais, então um simples antídoto é a disciplinada perseguição por menos. Não apenas saindo dizendo "Não" por aí, mas eliminando estrategicamente as coisas não-essenciais, constantemente reduzindo, focando e simplificando. Eliminar os desperdiçadores de tempo, mas também cortar formidáveis oportunidades que possam aparecer. 


Luciano Oliveira
Curitiba, 18 de abril de 2017
lramosoliveira@yahoo.com.br

terça-feira, 4 de abril de 2017

#94 - Padrões


O mundo sempre buscou padrões para tudo. 

Os padrões servem para balizar um processo. Ao assumir um determinado padrão, obtém-se as seguintes vantagens:
  1. Percebe-se rapidamente qualquer não-conformidade.
  2. Os objetivos do processo tornam-se mais claros e previsíveis. As pessoas passam a saber o que se espera delas.
  3. É possível mensurar com mais facilidade a quantidade de recurso necessária para retomar a condição desejada.
Padrões precisam ser colocados para tudo, principalmente processos e fluxos de trabalho. Todos precisam entender com quem está o bastão, e quais requisitos precisam ser cumpridos e os próximos passos. 

Apesar da obviedade, com frequência muitos ambientes estão confusos e por conta disso com as pessoas desmotivadas. Revise sempre os processos de modo a torná-los mais enxutos possíveis. 

Luciano Oliveira
Concepción, 4 de abril de 2017
lramosoliveira@yahoo.com.br

sexta-feira, 17 de março de 2017

#76 - Funcionários-polvo



Matéria publicada na BBC Brasil alerta sobre um efeito pouco conhecido do desemprego: a criação de funcionários-polvo.

A baixa de alguns funcionários sobrecarrega os que permanecem, acumulando múltiplas funções. Isto é agravado pelo medo da demissão, às vezes utilizada de forma maquiavélica por chefes despreparados. 

Os funcionários que assumem estes papéis são normalmente os mais versáteis, e num primeiro momento se sentem orgulhosos por terem permanecido. Nota-se um aumento da produtividade, pois os menos produtivos foram demitidos, mas o pico da curva é limitado exatamente no momento em que os funcionários se cansam. As pessoas não conseguem dar 100% de si o tempo todo. 

A partir do momento onde os funcionários-polvo são levados ao limite, começa uma baixa na produtividade. As serviços são entregues com má qualidade, desmotivando o funcionário que vê tanto trabalho dar em nada. Isto pode desencadear um círculo vicioso, onde mais trabalho implica numa piora na qualidade, demandando retrabalho. O ambiente torna-se cada mais cinzento, diminuindo ainda mais a motivação, realimentando o ciclo.

Como interromper este ciclo?

Quebrar este círculo vicioso não é fácil. Exigirá maturidade da gestão, reconhecendo a incapacidade de continuar desta forma. Envolver os funcionários numa solução comum, pedindo sugestões, pode ser uma boa estratégia. Se sentirão comprometidos para que aquilo funcione. 

Eliminar os desperdícios é vital. Falei em outro post sobre os 8 tipos de desperdícios, segundo a metodologia Lean.

Por último, talvez seja necessário um downsizing, revisando as metas e selecionando os clientes mais rentáveis. Isto irá diminuir o faturamento, mas preservar os lucros e garantir o funcionamento da empresa. Os clientes que restarem serão melhor atendidos, e a satisfação no trabalho aos poucos vai retornando.


Luciano Oliveira
Curitiba, 17 de março de 2017
lramosoliveira@yahoo.com.br

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

#34 - Por quê?


A análise dos 5 porquês é uma ferramenta central na solução de problemas. Deve-se perguntar repetidas vezes "Por que?" até que se encontre a causa original de um problema. Isto implica em mover-se para cima e para baixo numa 'escada de abstrações', de uma lacuna abstrata até que se cheque a observações concretas.

Os 5 Porquês requerem prática, pois é fácil acabar longe da causa original real. Uma regra básica e útil: as causas originais invariavelmente se classificam em uma destas 3 categorias:
  • Padrão inadequado
  • Aderência inadequada ao padrão
  • Sistema inadequado
Um exemplo extraído do livro "Produção Lean Simplificada - Pascal Dennis", relata um evento em uma fábrica de motores da Toyota:

Foram produzidas 900 unidades versus a meta de 1200
Por quê?
Porque o robô parou.
Por quê?
Porque houve sobrecarga e um fusível queimou.
Por quê?
Porque o braço não estava lubrificado adequadamente.
Por quê?
Porque a bomba de lubrificação não estava funcionando direito.
Por quê?
Porque há sujeira e entulho na mangueira da bomba.
Por quê?
Porque o motor da bomba foi projetado sem filtro.

A causa original da pane provavelmente seria ou 'padrão inadequado' ou 'aderência inadequada ao padrão'. 

Luciano Oliveira
Curitiba, 3 de fevereiro de 2017.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

#25 - Trabalho padronizado


De acordo com a metodologia Lean, o trabalho padronizado consiste em 3 elementos:
  • Tempo takt
  • Sequência de trabalho
  • Estoque em processo

Tempo takt
Nos fornece a frequência de demanda, ou seja, qual o intervalo que um produto deve ser produzido. Um exemplo clássico é o caso da montadora de automóveis que produz 1 carro a cada 3 minutos. Neste caso, 3 minutos é o tempo takt.

Sequência de trabalho
Define a ordem em que o trabalho é feito em um dado processo. Estas informações devem estar nas FIT (folha de instrução de trabalho). A utilização de imagens auxilia muito a correta execução. 

Estoque em processo
É a quantia mínima de peças de trabalho incompletas necessárias para que o operador complete o processo sem ficar parado na frente da máquina. O fator determinante é que o processo não pode progredir sem certo número de peças à disposição. O estoque em processo deve ser aumentado APENAS nas seguintes circunstâncias:
  • Verificações de qualidade que exigem peças de trabalho adicionais
  • As temperaturas devem cair antes de começar a próxima operação
  • A maquinaria começa um ciclo automaticamente
  • A operação das máquinas está na ordem inversa dos processos



Luciano Oliveira
Curitiba, 25 de janeiro de 2017.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

#17 - Melhoria







Os processos de melhoria estão presentes em todos os lugares. Há algum tempo atrás joguei com minha filha um jogo chamado Akinator. É uma aplicação do Inteligência Artificial (AI), que melhora a precisão quanto mais pessoas vão participando. É incrível os resultados que ele produz. 

No fundo, são ferramentas PDCA (plan-do-check-act) que norteiam estes processos.

De acordo com o Sistema Toyota de Produção, melhorias são impossíveis sem estabilidade nos 4 M's:
  • Man/Woman
  • Machine
  • Material
  • Method
A estabilidade começa com gerenciamento visual e 5S, e o alicerce deve ser o padrão. Padrão é aquilo que deve acontecer, e uma imagem clara da condição desejada. Eles tornam anormalidades imediatamente visíveis, para que ações corretivas possam ser imediatamente tomadas. Um bom padrão é claro, simples e visual.

O processo de melhoria Lean possui 4 pontos:
  1. Estabilizar os 4 M's: é o primeiro passo. Primeiro se estabiliza, depois se melhora.
  2. Fluir: a medida que se estabiliza, gradualmente se reduz o tamanho dos lotes. A regra é "faça um, mova um". 
  3. Puxar: não produza um item até que o cliente queira (fluxo abaixo). 
  4. Melhorar o sistema:  com o sistema estabilizado e controlado, pode-se buscar ações de melhoria específicas.
 

Luciano Oliveira
Curitiba, 17 de janeiro de 2017.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

#5 - Desperdícios


De acordo com a gestão Lean e o Sistema Toyota de Produção, existem 8 tipos de desperdícios, conhecido como MUDA. Muda é o oposto de valor, aquilo que o cliente não está disposto a pagar, e precisa ser eliminado. 

Os 8 tipos de desperdícios são:

  • Movimento
  • Espera 
  • Transporte
  • Correção e retrabalho
  • Excesso de processamento
  • Excesso de produção
  • Estoque
  • Conhecimento sem ligação
O líder precisa ser um voraz perseguidor destes desperdícios, mantendo uma busca incansável em eliminá-los, para que possa promover o aumento da produtividade.

Luciano Oliveira
Curitiba, 5 de janeiro de 2017.

domingo, 1 de janeiro de 2017

#1 - Apresentação




Este blog nasce hoje, em 1/1/2017, com um objetivo: cavar ao redor das raízes de uma árvore, para prepará-la para um transplante.

Este é o significado da palavra japonesa Nemawashi. Utilizada de distintas formas, é aplicada na gestão moderna, e difundida pelo Sistema Toyota de Produção. 

Minha proposta com este blog é criar 365 postagens distintas e diárias no ano de 2017, que relacionem a espiritualidade bíblica com o ambiente de trabalho. Mais do que isso, é liberar as inquietudes do dia-a-dia, na busca de gerar reflexões que contribuam para uma melhor qualidade de vida e o desenvolvimento das características de liderança. 

Como cristão, creio que a Bíblia Sagrada possui um inventário imenso de riquezas alentadoras, que têm a capacidade de nos aperfeiçoar como indivíduos. Seus exemplos são riquíssimos e atuais, e suas lições totalmente aplicáveis para ir ao encontro das demandas do dia a dia. Me sinto motivado através deste blog a utilizá-lo como uma ferramenta para organizar minhas próprias ideias. Assim, a audiência não será o ponto principal, mas agradeço todas as contribuições que puderem ser feitas. 

Que Deus nos abençoe.

Luciano Oliveira
São José dos Campos, 1 de janeiro de 2017.